A psicanálise explica

Atualizado: 11 de dez. de 2019




Para muitas pessoas a psicanálise está além da compreensão dos reles mortais. Alguns autores, entretanto, têm analisado o comportamento e a mente humana justamente para pessoas leigas em psicanálise. Este é o caso da obra organizada por Denir C Freitas, Por trás dos fatos: A psicanálise pode explicar, lançado pela Vetor editora, o ano passado.


No livro, diferentes autores abordam questões da atualidade: a compulsão de agir contra o bom senso, formas de lidar com o envelhecimento, a descoberta do abuso sexual no âmbito familiar, conflitos presentes no processo de fertilização, sexualidade infantil, período de puerpério, entre outros. Os textos têm uma linguagem de fácil compreensão, apoiam-se em argumentos teóricos e práticos a partir de conceitos psicanalíticos, destacam a necessidade de se repensar os modelos propostos com relação às diversas questões sociais da atualidade e a necessidade de atualização constante.


Enfim, como escreve Freitas, o organizador da obra, na Introdução: “o prazer de ler sobre a teoria e a prática que Freud construiu está em descobrir que, para além das palavras, é sobre nós que ele está falando” (Pág. 11).


Apesar de gostar da obra no seu todo, vou me deter no sétimo capítulo escrito por Cássia Vianna Bittens, isso porque além de gostar muito do texto, acompanho o trabalho dela há anos no Literatura de Berço. Durante algum tempo, com muita alegria, participei do programa do Literatura, na Rádio Antena Zero.


Bittens, no A mãe puérpera e o seu bebê na contemporaneidade, apresenta a temática da mãe puérpera, aquela que pariu recentemente um filho e está na fase pós-parto (o puerpério).


A autora escreve a respeito do paradoxo que a mulher/mãe vive desde a gestação, “quando o outro é imposto literalmente na vida da mulher”, quando ela acompanha as transformações do seu corpo, e vivencia o parto.


A partir do nascimento do seu filho, à mãe é dada a função da maternagem ativa, fundamental para o desenvolvimento da criança, sem, contudo, que seja considerada a subjetividade desse processo e as demandas sociais. Segundo Bittens: “Diferente de outras experiências no decorrer da vida, como a puberdade ou a entrada no mercado de trabalho, ser mãe interfere em todos os setores da adaptabilidade: afetivo-relacional, produtividade, orgânico e sociocultural, resultando em crise adaptativa”. A mãe prioriza a maternagem separando-se de outros papeis de sua personalidade.


O conceito de narcisismo postulado por Freud, o da criança que toma a si mesma como objeto de amor, antes de escolher objetos exteriores, a ampliação desse conceito por Melanie Klein, também é discutido pela autora no contexto do puerpério.


As reflexões a respeito da mãe puérpera e o bebê na contemporaneidade finaliza o capítulo. Nesta parte, com sensibilidade, Bittens discute as questões intrínsecas à gestação, parto e cuidados com o bebê e a ideia que a mãe contemporânea tem de estar imobilizada na rotina de cuidados com o bebê. E, pontua: “pensar nos primeiros anos de vida do bebê, negligenciando a mãe e suas emoções em nome das demandas contemporâneas, perpetua o desalento, aumenta a angústia e compromete a possibilidade de mudança”.


Bittens, Vianna Cassia. A mãe puérpera e o seu bebê na contemporaneidade. In: Freitas, Denir C (org). Por trás dos fatos: A psicanálise pode explicar. São Paulo: Vetor editora, 2017.


Literatura de Berço

O Literatura de Berço nasceu em 2013 com o propósito de oferecer Literatura de qualidade para mães e bebês, priorizando o prazer da leitura. Com encontros frequentes e temas variados, é apresentado o melhor da Literatura Infantil às famílias, proporcionando aos bebês a vivencia ativa da leitura (sons, imagens e forma) e incentivando as mães, pais e responsáveis a lerem frequentemente para seus filhos.

Literatura de Berço: https://www.literaturadeberco.com


Cássia Bittens

Cássia Bittens. Psicóloga, especialista em Psicoterapia Psicanalítica. Iniciou suas atividades dentro da Psicologia Escolar, mestranda em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP. Idealizadora e curadora do Programa Literatura de Berço. Iniciou suas atividades na Psicologia Escolar. Foi jurada do Prêmio Jabuti em 2013 a 2016, categoria Psicologia e Psicanálise e convidada e selecionada a participar da Campanha “Mulheres que Perfumam O Boticário”.


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